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Parque eólico flutuante offshore recebe apoios para entrar em fase de comercialização

energia

Três turbinas eólicas assentes em plataformas flutuantes, ancoradas ao fundo marinho a uma profundidade de 100 metros. Este é o projeto que vai ser apoiado pelo BEI, NER300 e Fundo de Carbono.

A subsidiária da EDP Renováveis, da Repsol e da Principle Power contraiu um empréstimo de 60 milhões de euros junto do Banco Europeu de Investimento (BEI) para para instalar um parque eólico flutuante ao largo da costa de Portugal. Localizado a 20 km ao largo da costa de Viana do Castelo, o projeto visa “acelerar a implantação comercial de uma tecnologia inovadora chamada «WindFloat», que permite aproveitar recursos eólicos abundantes em águas profundas, onde não é possível instalar fundações fixas no fundo marinho”, explica o comunicado do BEI enviado às redações.

Este parque eólico flutuante offshore pioneiro, que utiliza plataformas semissubmersível, tem também o apoio da Comissão Europeia através do Mecanismo de Financiamento de Projetos de Demonstração no setor da Energia — um programa de investimento temático ao abrigo do Financiamento da UE para Inovadores (InnovFin), que é financiado pelo Horizonte 2020. Além disso, o projeto irá receber 29,9 milhões de euros do programa NER300 da UE e até seis milhões de euros do Governo português, através do Fundo de Carbono. O acordo foi assinado esta sexta-feira em Lisboa pela vice-presidente do BEI, Emma Navarro, e pelo presidente Executivo da EDP Renováveis e representante da Windplus, João Manso Neto.

O comissário para a Investigação, Ciência e Inovação, Carlos Moedas, que também esteve presente na cerimónia, sublinhou que “o acordo celebrado constitui mais um exemplo de como os fundos europeus estão a ajudar a diminuir os riscos associados à implementação de soluções energéticas inovadoras, como a WindFloat. Precisamos de tecnologias inovadoras para acelerar a transição para as energias limpas na Europa e continuar a liderar o combate às alterações climáticas a nível mundial”. “Em última análise, isto melhorará a nossa qualidade de vida, criará novos postos de trabalho e crescimento económico para benefício dos cidadãos europeus”, acrescentou.

A instalação é composta por três turbinas eólicas assentes em plataformas flutuantes, ancoradas ao fundo marinho a uma profundidade de 100 metros. O parque eólico terá uma capacidade instalada de 25 MW, equivalente à energia consumida por 60.000 habitações durante um ano. “Esta nova tecnologia, adequada para águas profundas como as que existem em Portugal, já provou o seu sucesso na primeira fase do projeto em condições exigentes, e esta nova fase marca uma transição estável para uma fase comercial ambiciosa”, sublinhou por seu turno o presidente executivo da EDP, António Mexia.

Este projeto pertence ao consórcio Windplus, constituído pela EDP Renováveis (79,4%), pela Repsol (19,4%) e pela Principle Power Inc. (1,2%).

De acordo com o comunicado enviado às redações, cerca de 80% dos recursos eólicos offshore estão localizados em águas com 60 metros de profundidade ou ainda mais profundas nos mares da Europa, onde o custo das estruturas fixas no fundo marinho não é aliciante do ponto de vista económica. O desenvolvimento de tecnologias de energia eólica offshore flutuante permitirá aproveitar técnicas de redução de custos adotadas no setor, o que, conjugado com o maior fator de capacidade alcançado em locais com águas mais profundas, levará a reduções significativas no custo nivelado da energia para projetos de energia eólica offshore flutuante.

Texto elaborado por ECO de 24/10/2018